Ex-Flamengo e Palmeiras vendia licenças falsas a astros do futebol
há 19 horas
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Mancuso, ex-Flamengo, em entrevista ao Lance! (Foto:Lance!)
Jogadores e x-jogadores como Thiago Silva, Petkovic, Roberto Carlos e Felipe Melo adquiriram certificados de treinador atribuídos à Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA) por meio de um esquema operado por Alejandro Mancuso, argentino com passagens por Flamengo e Palmeiras. Os jogadores pagavam cerca de R$ 100 mil para receber quatro licenças de treinador, nas categorias C, B, A e PRO, entregues pelo correio em poucos dias.
A ATFA nega ter autorizado qualquer procedimento desse tipo e afirma que os certificados distribuídos por Mancuso são falsos. A investigação foi publicada pela jornalista Joanna de Assis, do UOL, e reuniu áudios, mensagens e documentos relacionados ao caso.
Mancuso nega ter vendido as licenças falsas ou recebido dinheiro dos jogadores. Em contato com a reportagem do UOL, o ex-jogador disse que apenas orientava atletas que buscavam informações sobre como obter a formação argentina e negou ter vínculo com a ATFA.
Mancuso enganava ex-jogadores para vender licenças de treinador
Mancuso se apresentava como "diretor internacional da ATFA", afirmando ter um acordo com dirigentes da entidade para facilitar a emissão dos certificados. O argumento central era de que atletas com carreiras consolidadas não precisariam cumprir os anos de formação exigidos pela associação.
Jogadores envolvidos
Thiago Silva afirmou, por meio da assessoria, que pagou por cursos que não foram ministrados como prometido. O zagueiro disse ter tentado verificar a situação junto à ATFA sem sucesso e que recebeu os certificados no fim de 2023. Mas, segundo ele, nunca utilizou os documentos.
Felipe Melo desconfiou do esquema ao cobrar a realização de aulas
presenciais
e não conseguir agendar as atividades. Ele retirou os documentos das redes sociais e recuperou o dinheiro pago.
Dejan Petkovic confirmou ter negociado a licença com Mancuso e afirmou que o documento chegou a ser investigado pela polícia argentina. Ele disse não ter completado a parte presencial do processo.
Paulinho, ex-Corinthians, disse ter acreditado na explicação de que a carreira de jogadores de alto nível poderia ser reconhecida pela ATFA. Segundo ele, chegou a fazer cursos pela internet durante um período em que estava parado e não imaginou haver algo ilegal na negociação.
Alex de Souza adquiriu a licença argentina após concluir todos os cursos da CBF Academy. Ele afirmou nunca ter utilizado o documento nem tentado homologá-lo na Conmebol. No certificado recebido, havia inclusive um erro; aparecia "futsal" em vez de "fútbol".
Luiz Gustavo informou, por meio da assessoria, que acreditava estar contratando uma homologação de carreira, não um curso. Ele desconfiou da documentação ao receber históricos com avaliações que nunca havia realizado.
Roberto Carlos também negociou com Mancuso e recebeu licenças e uma carteirinha pelo correio. Sua assessoria afirmou que ele nunca utilizou os documentos porque não completou o curso.
Diego Lugano, ex-zagueiro uruguaio e atual diretor do São Paulo, confirmou ter adquirido as licenças por meio de um "curso rápido". Ele disse ter feito a parte teórica pela internet, mas não realizou a etapa presencial.
Roberto Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho, também foi procurado por Mancuso durante a pandemia. Ele afirmou não se lembrar se chegou a fazer algum depósito e aparece entre os documentos investigados na Argentina.
Paolo Guerrero também é citado entre os jogadores que teriam adquirido as licenças oferecidas por Mancuso.