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Miley Cyrus volta ao topo com ‘Bass Persuades’: qual o peso disso?

há 19 horas
9 min de leitura

Miley Cyrus (reprodução @miley)
Miley Cyrus (reprodução @miley)



No início deste ano, Miley Cyrus assinou com a Atlantic Records depois de passar a maior parte da década na Columbia. Agora, poucos meses depois, ela e a nova gravadora comemoram seu primeiro álbum número 1 em 13 anos.

O novo disco, “Bass Persuades”, estreia no topo do Billboard 200 nesta semana (lista com data de 3 de outubro) com 62 mil unidades na primeira semana. É a primeira vez que Miley chega ao topo do chart desde que “Bangerz” estreou em primeiro lugar, em outubro de 2013. O álbum sucede o visual “Something Beautiful”, do ano passado, que estreou em quarto lugar, e já emplacou dois hits no Billboard Hot 100: a faixa-título (35º lugar) e “Let’s Get Married” (99º).


Como Miley deve se sentir em relação à estreia do novo LP? E qual caminho ela deve seguir daqui para frente para consolidar ainda mais seu legado? A equipe e o time de colaboração da Billboard respondem a essas e outras perguntas abaixo.

1. Miley Cyrus conquista nesta semana seu primeiro álbum número 1 desde 2013 com a estreia de “Bass Persuades” no topo, que movimenta 62 mil unidades na primeira semana. Em uma escala de um a dez, qual é o tamanho desse triunfo para Miley e sua equipe?

Christopher Claxton: Em uma escala de um a dez, eu daria sete. Passar 13 anos sem um álbum número 1 é muito tempo, principalmente para uma cantora do porte da Miley, e voltar ao topo do chart não é tarefa fácil, independentemente da semana de lançamento. A esta altura, acho seguro dizer que Miley é uma popstar geracional, então não acho que um álbum número 1 seja exatamente inesperado para ela. Dito isso, o fato de ela conseguir voltar ao topo depois de tanto tempo é significativo.

Kyle Denis: Considerando que foram só 17 dias entre o anúncio de “Bass Persuades” e o lançamento, isso merece pelo menos um 7,5, apesar do total relativamente baixo na primeira semana.

Lyndsey Havens: Dez, é algo grande para todo mundo envolvido. É o primeiro álbum número 1 dela em mais de uma década, desde a guinada de “Bangerz”, o primeiro como Miley (sem o Cyrus) e o primeiro numa gravadora nova. É praticamente o melhor resultado possível para a estreia de um álbum que, segundo a própria cantora, ficou pronto mais rápido do que costuma acontecer no processo dela.

Andrew Unterberger: Sete. Sem dúvida é importante começar na nova gravadora com um número 1, e é uma ótima manchete dizer que é o melhor resultado dela desde sua era pop de maior sucesso. Mas tudo isso é um pouquinho enganoso: as 62 mil unidades de “Bass Persuades” na primeira semana são pouco mais da metade das 119 mil que “Endless Summer Vacation” somou em 2023, quando estreou em terceiro lugar numa semana mais concorrida no Billboard 200. Ainda é uma primeira semana forte, mas não exatamente um divisor de águas.

Alicia Urrea: Dez. Como fã da Miley desde a época da Disney, é revigorante vê-la de volta ao número 1 depois de tanto tempo. Chega a surpreender que “Endless Summer Vacation” não tenha chegado ao topo, considerando o sucesso enorme de “Flowers”. Pelo menos do meu ponto de vista, parece que Miley estava em busca de reconhecimento por um trabalho que segue amadurecendo e evoluindo, então imagino que essa conquista seja um marco importante para ela e sua equipe.

2. O intervalo de pouco mais de um ano entre “Something Beautiful”, de maio de 2025, e “Bass Persuades” é o menor entre dois álbuns completos da Miley desde a época de “Hannah Montana”. Os números da primeira semana de “Bass Persuades” justificam o retorno rápido?
Christopher Claxton: Ah, com certeza. Acho que a rapidez acabou jogando a favor da Miley. Em vez de deixar o embalo de “Something Beautiful” esfriar, ela emendou outro álbum completo enquanto ainda havia um público ativo ao redor dela. E o desempenho nos charts parece confirmar isso. É o primeiro álbum número 1 da Miley em 13 anos, e as vendas por si só já indicam que ainda existe uma demanda forte pela música dela, mesmo depois de “Something Beautiful”.

Kyle Denis: Não exatamente? Mas Miley nunca foi uma cantora de números gigantes na primeira semana, e o cronograma de lançamento encurtado, somado à recepção morna do primeiro single, certamente não ajudou. Então é difícil tirar a história completa desses números. Independentemente deles, o retorno rápido se justifica por um motivo: “Something Beautiful” foi uma era que passou num piscar de olhos.

Lyndsey Havens: Por mais estranho que pareça, não sei se uma coisa tem tanto a ver com a outra. Acho que a única coisa que “Something Beautiful” fez pela Miley foi mostrar que ela está muito a fim de fazer música mais experimental neste momento. A gente já sentia isso em “Endless Summer Vacation”, com uma música como “Handstand”, que ela compôs e produziu com o companheiro,

Maxx Morando. Então, claro, talvez o timing rápido tenha alguma relação com a primeira semana expressiva da Miley, mas acho que, mais do que tudo, é resultado do apoio dos fãs de primeira hora à jornada criativa dela, felizes por ela ainda estar entregando alguma coisa.

Andrew Unterberger: Isso certamente evita que pareça um erro, mas eu ainda gostaria de ver um pouco mais de fôlego do álbum e dessa era antes de considerar tudo um sucesso total. Pessoalmente, fico um pouco chateado de vê-la virar a página tão rápido em “Something Beautiful”, que achei um projeto muito mais satisfatório. Mas aquele álbum teve desempenho comercial abaixo do esperado, então talvez tenha sido esperto da parte dela recomeçar rápido assim.

Alicia Urrea: Acho que sim. Uma estreia em primeiro lugar e 62 mil unidades na primeira semana mostram que Miley conseguiu gerar empolgação suficiente em torno de “Bass Persuades”, mesmo tendo lançado outro álbum completo pouco mais de um ano antes. Isso também sugere que a base de fãs estava pronta para um novo trabalho dela e não se sentiu sobrecarregada com a rapidez. O desafio agora é garantir que o álbum tenha tempo para construir sua própria identidade, em vez de se perder nessa pressa ou se misturar com a era “Something Beautiful”.

3. A faixa-título e primeiro single continua sendo o maior hit do disco no Hot 100, ocupando o 52º lugar nesta semana depois de estrear em 35º. Ela vai se tornar um hit duradouro ou marcante do projeto, ou serviu principalmente para apresentar o álbum?

Christopher Claxton: Na minha visão, “Bass Persuades” é a melhor faixa do álbum, então faz sentido que também seja o maior hit do disco no Hot 100. É uma ótima música, e consigo vê-la ficando no chart por um tempo. Dito isso, acho que vamos continuar vendo a faixa cair aos poucos no Hot 100 até sair completamente.

Kyle Denis: Eu ficaria bem surpreso se “Bass Persuades” conquistasse um espaço real no top 10 do Hot 100, e olha que eu gosto muito da música! Mesmo assim, ela não soa como uma música essencialmente Miley ou como um sucesso incontestável no estilo de “Flowers”.

Lyndsey Havens: Com certeza acho que vai ser um hit marcante do projeto. Já consigo até ver os tweets no futuro dizendo que ela foi “subestimada” quando saiu. Na verdade, ela foi uma apresentação meio enganosa do álbum, já que é talvez a faixa mais mainstream do disco. É uma música de dance-pop superdivertida e chiclete, sim, mas o mais importante é que é uma canção em que Miley entra mais nesse lugar de ícone: ela não é mais a jovem da história, e sim alguém que fala sobre a molecada e sobre como, para sua tristeza, ninguém quer dançar. Inaceitável, pelos padrões dela.

Andrew Unterberger: É uma ótima faixa de abertura, mas não me parece um hit duradouro. Soa fora de sintonia com o mercado, e o refrão não é tão divertido quanto o título sugere.

Alicia Urrea: Na minha opinião, “Bass Persuades” talvez tenha servido principalmente como apresentação do álbum e dessa nova era da Miley. Ela definitivamente fez o barulho certo, principalmente com a repercussão da decisão de assinar sem o sobrenome. Mas acho que o álbum chegou um pouco cedo demais depois do single, o que não deu à música tempo suficiente para se firmar sozinha. No fim, ela soa mais como uma introdução à nova fase do que como um hit independente que represente a volta dela como “Miley”.

4. Fora a faixa-título, há algo em “Bass Persuades” que pareça uma direção especialmente interessante ou nova para Miley?
Christopher Claxton: Fora a faixa-título, acho “Bass Persuades” um álbum muito interessante, porque parece que estamos ouvindo um lado mais experimental do som da Miley. Para mim, ela não parece muito preocupada em fazer um álbum pop tradicional. Ela parece mais interessada em brincar com diferentes estilos de produção, abordagens vocais e texturas.

Kyle Denis: Gosto muito dos sons industriais com que ela flerta em “Different Religion”. Essa música me faz desejar que houvesse uma visão mais focada e bem resolvida guiando “Bass Persuades”.

Lyndsey Havens: Acho que o que mais me impressionou, na primeira audição, foi o quanto ela continua soando livre. Miley nunca pareceu correr atrás do óbvio no visual ou na música, e certamente não tentou buscar um sucessor para seu megahit “Flowers”. Acho isso bem notável. Mesmo que fosse um fracasso, “Bass Persuades” seria um acréscimo intrigante ao catálogo dela, porque ela nunca parou de tentar impressionar a si mesma. É isso que sinto que estamos ouvindo aqui: uma cantora que, com dez álbuns na carreira, ainda entrega algo inesperado.

Andrew Unterberger: Tem umas texturas bem interessantes em “Aftermath” e “Snow”, e a base de fãs vai passar muito tempo destrinchando a letra de “Innocent Ways”. Mas, de modo geral, este talvez seja o primeiro álbum da Miley desde a época de “Hannah Montana” que não parece um passo particularmente ousado em nenhuma direção.

Alicia Urrea: Acho “Different Religion” especialmente interessante porque não soa como nada que Miley tenha lançado antes. De forma mais ampla, o álbum deixa claro que ela estava disposta a experimentar com seu som. Até a faixa-título soa bem diferente de uma produção pop tradicional, puxando para algo mais divertido e voltado para as pistas. Dá para sentir que Miley se desafiou de propósito no aspecto sonoro, e essa experimentação é uma das partes mais interessantes do álbum.


5. Embora Miley seja, sem dúvida, uma das popstars mais importantes dos últimos 20 anos, seu desempenho comercial costuma ser inconstante, e seu lugar no ecossistema pop é um pouco mais nebuloso do que talvez devesse. Se você cuidasse da carreira dela, o que aconselharia para garantir esse tipo de status e estabilidade a longo prazo?

Christopher Claxton: Eu diria para levar as redes sociais um pouco mais a sério. Ela posta com frequência, com certeza, mas não acho que sempre tenha algo ali com que o público consiga se conectar de verdade. Ela não precisa compartilhar nada que a deixe desconfortável nem expor a vida pessoal, mas acho que deveria haver mais momentos, histórias ou pedaços da personalidade dela aos quais quem a acompanha pudesse se apegar e se sentir conectado.

Kyle Denis: Sinceramente, ela está fazendo tudo certo. Miley passou boa parte deste ano fazendo as pazes com Hannah Montana e recebendo o devido reconhecimento como um ícone geracional da música, da TV e da cultura. Esse tipo de exaltação vale mais do que qualquer discussão sobre os números da primeira semana de “Bass Persuades”. Sim, eles são baixos! E, sim, provavelmente é difícil que alguma dessas músicas entre no top 10 do Hot 100. Mas isso não tem absolutamente nenhuma influência na forma como a celebridade da Miley é recebida. Ela é meio que a Cher da geração dela. Os hits podem surgir em momentos aparentemente aleatórios, e é claro que é ótimo tê-los, mas eles não são necessários para construir o mito de Miley Cyrus.
Lyndsey Havens: Os shows dela no Hollywood Bowl são um passo na direção certa. Acho que um ponto sensível para os fãs, e aqui falo um pouco por mim, é que existe tanta admiração por ela e pelo seu lugar no pop que às vezes parece que isso está borbulhando há tempo demais sem uma válvula de escape adequada. Tenho certeza de que essas conversas acontecem com frequência, mas eu sugeriria encontrar mais formas de colocar Miley em contato com o público, além de turnês ou mesmo de apresentações únicas grandiosas e exaustivas. Deixem a gente levar o fandom para fora da internet por um momento e dar esse reconhecimento a ela pessoalmente.
Andrew Unterberger: Tirar um tempo para o próximo trabalho e voltar com algo mais próximo de uma declaração de álbum completo, como “Something Beautiful”. E, mesmo que os resultados iniciais não sejam os desejados, insistir e confiar que o público vai acabar descobrindo o que fazer com ele. Enquanto isso, se os próximos shows no Hollywood Bowl forem bem, talvez valha considerar algo parecido com o que Harry Styles está fazendo no Madison Square Garden, em Nova York: uma residência longa que dá a fãs do mundo todo a chance de fazer a peregrinação para vê-la, sem esgotá-la na estrada.

Alicia Urrea: Eu daria mais espaço para os singles respirarem antes de lançar o álbum completo. “Bass Persuades” parecia ter potencial para aproveitar alguns dos sucessos anteriores da Miley, mas às vezes quem faz música passa tão rápido de um lançamento para o outro que as faixas não têm tempo suficiente para se firmar. Entendo a empolgação de querer entregar um trabalho completo para os fãs, mas a expectativa pode ser igualmente poderosa. Além disso, eu a incentivaria a desenvolver um som mais reconhecível. Isso não significa necessariamente que ela precise parar de experimentar; na verdade, essa capacidade é um dos seus pontos fortes. Mas acho que encontrar um fio condutor musical que soe muito “Miley” pode ajudar o público e as rádios a ter uma ideia mais clara do que esperar dela, sem deixar de abrir espaço para a criatividade.


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