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Chefe da Haas elogia postura de Rafael Câmara, reforço do time na F1
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Rafael Câmara comenta chegada à F1: "Feliz por ter realizado o sonho"
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Chefe de equipe da Haas, o japonês Ayao Komatsu não poupou elogios ao brasileiro Rafael Câmara, novo contratado da equipe para a Fórmula 1. O time americano assinou um vínculo multianual com o piloto de 21 anos, e o gestor tratou o jovem como um piloto de grande potencial em entrevista exclusiva à Mariana Becker, comentarista da TV Globo.
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Ayao disse que vai tentar desenvolver o pioto brasileiro o mais rápido possível - ele comparou o jovem a Oliver Bearman, também membro da Academia de Jovens da Ferrari e titular da Haas.
É claro que, com tudo o que aprendi nos últimos 23 anos na Fórmula 1; ou melhor, nos últimos 45 anos da minha vida, a gente segue em constante movimento, dia após dia. É preciso aprender com o que passou para tornar o dia seguinte ainda melhor. Com base em tudo o que vivenciamos com o Ollie, e na transição entre ele e o Rafa, fica claro que ambos possuem um potencial imenso e uma grande capacidade de evolução – disse Ayao.
No caso do Ollie, não vejo limites. Por isso, todo o aprendizado que acumulamos com ele nos últimos dois anos e meio, aproximadamente, será aplicado para desenvolver o Rafa o mais rápido possível. Mas, vale ressaltar: embora o objetivo seja a rapidez, não dá para forçar o processo – acrescentou.
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O chefe da equipe sabe que Rafael Câmara vai cometer erros no início, mas acredita que a velocidade demonstrada pelo pernambucano até aqui compensa esse período de aprendizado.
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Ele precisa ter a oportunidade de cometer seus próprios erros. No ano que vem, ele será um estreante. Portanto, não se deve, digamos, limitar demais um talento tão extraordinário. É preciso deixá-lo se expressar, ser ele mesmo. E isso implica que ele precisa se desafiar, sair da sua zona de conforto.
Isso significa que ele vai cometer erros. É algo que faz parte da vida, não apenas da trajetória de um piloto. Então, como lidamos com isso? Como permitir que ele explore e cometa erros por conta própria, ao mesmo tempo em que transformamos essas experiências em resultados? É um equilíbrio extremamente delicado.
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O gestor citou o exemplo de Oliver Bearman em duas provas diferentes: o GP de São Paulo de 2024, quando ainda era reserva e substituiu o dinamarquês Kevin Magnussen, e no GP da Austrália de 2025, primeira corrida do britânico como titular na Fórmula 1.
Ayao destacou que os acertos e erros dos pilotos estão ligados ao quão rápidos eles são - e acredita que isso também se traduz para Rafael Câmara.
Ainda me lembro de quando o Ollie Bearman entrou no carro no Brasil, com apenas cinco horas de aviso prévio, porque o Kevin não estava se sentindo bem. Lembro-me do primeiro treino livre (FP1), ele fez uma volta muito rápida. Eu mal podia acreditar no que estava vendo: ele foi extremamente veloz logo de cara, sem qualquer preparação.
Mas, no ano passado, em Melbourne, tivemos um problema no carro e ele acabou sofrendo duas batidas fortes. Logo no início. E olha que eu tinha avisado ao Ollie: "Estamos com um problema no carro, então você não pode bater. É algo que precisa ser administrado, porque o mesmo fator que o torna incrivelmente rápido logo de cara, como vimos em Interlagos, é o que também o leva a sofrer acidentes. Entende? É uma faca de dois gumes, como tudo na vida.
Portanto, na visão do chefe de equipe, a Haas precisará manejar essas situações para que o brasileiro consiga desenvolver todo o talento que possui.
Rafa, ele possui uma velocidade e um talento impressionantes. É preciso saber gerenciar isso, mas entendemos que é, de fato, uma faca de dois gumes. O segredo está em encontrar esse equilíbrio; nosso compromisso é justamente desenvolver esse talento e ajudá-lo a alcançar todo o seu potencial.
Rafael recebeu apoio da Academia de Jovens da Ferrari e teve um rápido progresso na base: venceu a Fórmula Regional Europeia em 2024, a Fórmula 3 em 2025 e lidera a Fórmula 2 em 2026, com duas etapas ainda por disputar.
Com os bons resultados, Câmara passou a receber mais oportunidades da Ferrari e pôde fazer testes com carros de anos anteriores (TPC), em pistas como Ímola, na Itália, e Hungaroring, na Hungria – já com o objetivo de preparar o brasileiro para uma futura ida à Fórmula 1.
No entanto, o teste decisivo para o jovem piloto aconteceu no fim de agosto no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, Portugal.
Rafael Câmara teve a oportunidade de pilotar o carro de 2025 da Haas, equipe que utiliza motores Ferrari, e pôde comparar o tempo dele com o de Oliver Bearman, titular da equipe; Leonardo Fornaroli, campeão da Fórmula 2 em 2025, e Ryo Hirakawa, experiente japonês que pilota pela Toyota no Mundial de Endurance (WEC).
De acordo com apuração de Rafael Lopes, jornalista do ge.globo, o tempo de Rafa foi superior até mesmo ao de Oliver Bearman. No comunicado divulgado pela Haas nesta quarta-feira, Ayao destacou não só o ritmo "especial" do brasileiro, mas também a forma como Câmara geriu a situação:
Quando o tivemos no nosso programa de TPC em Portugal, ele mostrou que conseguia se virar muito bem, sem ter uma grande quantidade de tempo para aprender o carro. Ele nos mostrou mais do que velocidade pura. O Rafa conseguiu criar um ambiente para tirar o melhor de si mesmo. Foi muito impressionante, e certamente as voltas que ele completou foram especiais – afirmou, antes de acrescentar:
Estamos todos empolgados com essa oportunidade e realmente comprometidos como TGR Haas F1 para cultivar esse talento e oferecer um lugar onde ele possa florescer. Nós queremos criar um ambiente em que ele esteja confortável e tenha apoio, onde ele possa realmente se destacar em suas capacidades – concluiu.
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Rafael Câmara vai ser o primeiro brasileiro titular da Haas na Fórmula 1, e o segundo a disputar uma corrida pelo time. Em 2020, o reserva Pietro Fittipaldi correu duas provas como substituto de Romain Grosjean, após o grave acidente do francês com fogo no GP do Bahrein.
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