Aos 82 anos, Leci Brandão celebra cinco décadas de trajetória com uma indicação ao Grammy Latino 2026. “50 Anos de Carreira (Ao Vivo)”, projeto que revisita diferentes momentos de sua obra, concorre na categoria Melhor Álbum de Samba e Pagode.
“Após todo esse tempo de caminhada, ver o nosso samba atravessar fronteiras é um presente que recebo com o coração cheio de gratidão”, celebrou a sambista.
Criado para marcar os 50 anos de carreira da artista, o álbum reúne 14 faixas entre composições originais e novas interpretações de clássicos do samba e da música popular brasileira. Xande de Pilares, Criolo e Pretinho da Serrinha estão entre os convidados.
O repertório também passa por canções de Jorge Aragão, Grupo Revelação, Elis Regina e Fundo de Quintal, além de músicas que ficaram marcadas na voz de Leci, como “Sonho Meu”, “Zé do Caroço” e “Deixa para Lá”.
Nascida em Madureira e criada em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Leci iniciou sua trajetória musical na década de 1970.
Em 1972, tornou-se a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira, até então formada por homens.
Apresentada pelo compositor Zé Branco, ela precisou mostrar uma composição antes de ser aceita. Anos depois, definiria sua experiência na escola como uma “universidade” em sua vida.
O pioneirismo na Mangueira antecipou uma trajetória na qual música e representatividade caminhariam lado a lado.
Ao longo de cinco décadas, Leci construiu uma discografia de cerca de 26 álbuns, com trabalhos ligados à cultura afro-brasileira, referências à Umbanda e ao Candomblé e composições que abordam questões sociais e identitárias.
A cantora também ocupa um espaço importante na representação LGBTQIAPN+ na música brasileira.
Ainda nos anos 1970, já escrevia canções relacionadas ao tema e falou publicamente sobre sua sexualidade em entrevista ao jornal “Lampião da Esquina”, publicação que se tornou referência para o movimento LGBTQIAPN+ no período.
Mais de cinco décadas depois, “50 Anos de Carreira (Ao Vivo)” reúne diferentes capítulos dessa história e revisita um repertório que atravessou gerações.
“Minha relação com a Leci começou muito antes de imaginar que um dia eu teria o privilégio de lançar um álbum dela. Minha avó tinha os vinis da Leci, e foi ouvindo aqueles discos com ela, ainda pequeno, que a música dela fez parte da minha história”, afirmou Gil Sabino, Project Manager de Samba e Pagode da ONErpm Brasil.
“Anos depois, poder estar à frente do lançamento de ‘50 Anos de Carreira’ foi daqueles encontros que a vida proporciona e que a gente nunca esquece. Foi a chance de ajudar a celebrar um legado que, de alguma forma, também fez parte da minha infância”.